Ninguém nasce sabendo se relacionar
Entenda o que são habilidades sociais (HS), por que elas são tão importantes e como podem ser desenvolvidas.
7/1/20262 min read

As habilidades sociais têm ganhado cada vez mais destaque na Psicologia e na vida cotidiana. Mas, ao contrário do que muitos acreditam, elas não são inatas.
A Psicologia, há décadas, demonstra que habilidades sociais são comportamentos aprendidos e desenvolvidos ao longo da vida, por meio da convivência, da observação e da prática.
Segundo Del Prette & Del Prette (2017), referência brasileira no tema, habilidades sociais (HS) são comportamentos sociais que favorecem interações saudáveis e eficazes, e que podem ser aprendidos, treinados e aperfeiçoados.
Essa definição dialoga com a Teoria da Aprendizagem Social, de Albert Bandura (1977), que afirma que grande parte do nosso repertório comportamental é adquirido por modelagem, ou seja, observando outras pessoas e imitando seus comportamentos.
Isso significa que ninguém nasce sabendo iniciar uma conversa, se posicionar com respeito, encerrar um diálogo de forma adequada ou expressar suas emoções de maneira assertiva.
Essas competências são construídas ao longo da vida, influenciadas pela família, escola, cultura, experiências sociais, ambiente de trabalho e quaisquer outros ambientes nos quais haja interação social, seja voluntariamente ou “por obrigação”.
Algumas habilidades sociais são confundidas com traços de personalidade, como: olhar nos olhos, saber ouvir, se posicionar sem agredir e encerrar conversas com respeito, por exemplo, mas todos esses comportamentos são habilidades que podem ser aprendidas e/ou desenvolvidas.
Vale ressaltar que ser reservado não é o oposto de ser socialmente habilidoso. A introversão pode ser compreendida como uma característica relacionada ao fator Extroversão, um dos grandes fatores avaliados pela Bateria Fatorial de Personalidade. Nessa perspectiva, pessoas com menor expressão de extroversão tendem a apresentar um estilo mais reservado e menos expansivo socialmente, o que não deve ser confundido com ausência de habilidades sociais (Nunes, Hutz, & Nunes, 2010).
Pessoas introvertidas podem ter excelente capacidade de comunicação, empatia e assertividade e, ainda assim, preferirem ter poucas interações.
Mesmo quem teve poucas oportunidades de aprendizagem de HS na infância e adolescência, época em que o convívio social aumenta e deixa de ser mediado por adultos, pode desenvolver habilidades sociais mais tarde e diversos autores afirmam que pessoas com repertório social bem desenvolvido tendem a se relacionar melhor, evitar conflitos desnecessários, sentir-se mais à vontade em grupos e a ter melhor desempenho acadêmico e profissional.
Ou seja: se habilidades sociais são aprendidas, elas também podem ser ensinadas, praticadas e fortalecidas.
Referência Bibliográficas
Bandura, A., Azzi, R. G., & Polydoro, S. (2008). Teoria social cognitiva: conceitos básicos (Ronaldo Cataldo Costa, Trad.). Editora Artmed.
Del Prette, A., & Del Prette, Z. A. P. (2017). Habilidades Sociais: Intervenções e Treinamento.
Nunes, C. H. S. da S., Hutz, C. S., & Nunes, M. F. O. (2010). Bateria Fatorial de Personalidade - BFP: manual técnico. Casa do Psicólogo.
